"Parece que estão assim
todas as almas do mundo
lutando dentro de mim..."
[Raul Leoni]
segunda-feira, 25 de maio de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
Eu fazia familias de lápis de cores. Hamram. eu fazia familias de lapis de cores quando brincava sozinha. cada cor tinha uma personalidade. filhos gêmeos para as cores muito próximas. filhos briguentos para cores diferentes. filhos adotados para as cores que me deixavam em dúvida, à exemplo o azul petroleo. filhos tristes quando perdia um lápis e ele não tinha mais irmãos.
Eram muitos grupos de lápis. viviam em cidades. próximo da minha cama. cada cerâmica era uma casinha. alguns dividiam uma cerâmica porque também haviam pobres. em dias muito felizes eles viajavam.escondia os viajantes debaixo da cama.
ahh. existiam também os bons e os ruins. eu não gostava que os ruins existissem. mas, fazer o quê? eu era uma criança realista.
Porém, normalmente eles eram muito ricos e passavam muito tempo viajando. Sendo assim, meu problema estava parcialmente resolvido, como eles fora do convivio dos outros lapís. Afinal, um lápis ruim pode contaminar a caixa inteira.
Isso era tal real pra mim, que às vezes guardava eles fora da caixa para não correr o risco.
Não sei por quanto tempo esta era minha brincadeira preferida. não sei quando ela passou a não ser. acho que foi quando comecei a gostar de matematica, ai as cores passaram a ser impares ou pares. e em outros casos passaram as cores a serem números. fazia contas com cores.
Porque estou falando disso aqui? hoje? porque li sobre uma menina que queria um elefante. e o pai dela não acreditava que ela poderia cuidar dele, até hoje ela acredita que sim.
Eu falo que meus lápis tinham familias e ninguém entende, mas eu sei que o amarelo é irmão do laranja, certeza.
Já havia postado esse texto aqui quando recebi de surpresa esse complemento. fui à calçada e encontrei minha vizinha de oito anos.
perguntei: tá fazendo o quê, querida?
E ela respondeu como quem acredita: pisando nas folhas pra achar o caminho.
[sorriu e fez silêncio]
Eram muitos grupos de lápis. viviam em cidades. próximo da minha cama. cada cerâmica era uma casinha. alguns dividiam uma cerâmica porque também haviam pobres. em dias muito felizes eles viajavam.escondia os viajantes debaixo da cama.
ahh. existiam também os bons e os ruins. eu não gostava que os ruins existissem. mas, fazer o quê? eu era uma criança realista.
Porém, normalmente eles eram muito ricos e passavam muito tempo viajando. Sendo assim, meu problema estava parcialmente resolvido, como eles fora do convivio dos outros lapís. Afinal, um lápis ruim pode contaminar a caixa inteira.
Isso era tal real pra mim, que às vezes guardava eles fora da caixa para não correr o risco.
Não sei por quanto tempo esta era minha brincadeira preferida. não sei quando ela passou a não ser. acho que foi quando comecei a gostar de matematica, ai as cores passaram a ser impares ou pares. e em outros casos passaram as cores a serem números. fazia contas com cores.
Porque estou falando disso aqui? hoje? porque li sobre uma menina que queria um elefante. e o pai dela não acreditava que ela poderia cuidar dele, até hoje ela acredita que sim.
Eu falo que meus lápis tinham familias e ninguém entende, mas eu sei que o amarelo é irmão do laranja, certeza.
Já havia postado esse texto aqui quando recebi de surpresa esse complemento. fui à calçada e encontrei minha vizinha de oito anos.
perguntei: tá fazendo o quê, querida?
E ela respondeu como quem acredita: pisando nas folhas pra achar o caminho.
[sorriu e fez silêncio]
sábado, 23 de maio de 2009
Dez em Um
"Não preciso de dez mandamentos para viver, me basta só um: não interferir na vida dos outros."
[Drummond]
[Drummond]
Fones de ouvido
A última música que tocou foi de passarinhos. Eles tocaram na manhã e na tarde surgiram
em um grande grupo. O coro todo, além dos instrumentistas. Para que eu não esquecesse
de respirar aliviada.
Respirei descançando, afinal eles não fariam tamanho esforço de convencimento para algo que não fosse certo.
Parti para a divulgação. janelas. postais. placas grandes. era para todos. um escutou.
Deve de ter acrediado, pobre coitado também.
Os dias passaram e não responderam aos meus apelos discretos. No entanto, ainda restava a música, que eu escutava como que por dentro do ouvido.
Vinha dos pulmões e espalhava pela boca. É verdade que recebi pretextos para continuar
escutando. Alertas sonoros reafirmavam a validação da certeza.
Agora, fujo das letras acomodadas e me contradigo. inicio uma preocupação. ainda pequena. ainda confusa. mas, com potencial. no aguardo. porque cada coisa tem de se resolver.
em um grande grupo. O coro todo, além dos instrumentistas. Para que eu não esquecesse
de respirar aliviada.
Respirei descançando, afinal eles não fariam tamanho esforço de convencimento para algo que não fosse certo.
Parti para a divulgação. janelas. postais. placas grandes. era para todos. um escutou.
Deve de ter acrediado, pobre coitado também.
Os dias passaram e não responderam aos meus apelos discretos. No entanto, ainda restava a música, que eu escutava como que por dentro do ouvido.
Vinha dos pulmões e espalhava pela boca. É verdade que recebi pretextos para continuar
escutando. Alertas sonoros reafirmavam a validação da certeza.
Agora, fujo das letras acomodadas e me contradigo. inicio uma preocupação. ainda pequena. ainda confusa. mas, com potencial. no aguardo. porque cada coisa tem de se resolver.
sábado, 16 de maio de 2009
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