segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Carlos Drummond de Andrade

Elegia 1938

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações no encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas de dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Momento: discussão da conjuntura política

*Sifu . adverbio javanês . gíria médica .

Fonte de pesquisa:

O homem que sabia javanês. Lima Barreto.

O Presidente que sabia javanês. Carlos Heitor Cony / Angely.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Microconto

-Ela possuia alma de coquete, ainda que o calendário contasse o ano de 2050.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Se chora. fala.
Se fala.

.ininterruptamente fala muito.

Termino por dizer o que esta guardado no denso e distante, exilado da volição de apreciação. Não sei de que lugar no discorrer inicia-se este momento de abertura dos medos. Quando se vê já falou foi tudo.

Não há, angustia que não passe.
Me instrui que falar dos incômodos é o modo hábil de peder os medos.
Ainda assim. choro e falo. em uma lógica que me aparece um sendo aproximadamente o outro.

Sentar e falar. é apetecer, que de alguma forma, isto possibilita ausentar-se desta circunstância no estilo mais fácil poderia haver.

[...]
"Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não me interessa o que os outros vão pensar"

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Atividades:

[Ah, minha morena
eu não sei se vale a pena
trabalhar nesse sistema
tomar banho em Iracema
e adiar meu carnaval]

... [foi cantado]

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"Ela sabia o que não queria."

[Acredite, isso já era bastante.]

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

É sempre assim... minha vontade de mudar as coisas, se confunde com o gosto de voltar no tempo. que não houve. A ansiedade em escutar, sempre se confunde com a de não alcançar o que o dedo já aponta. A veleidade de ver, não ampara a versão dos fatos.
Eu nao me poupo. Eu quero ter a verdade. é verdade. mas, não é cogente ver. Só quero a ciência exata sem lorota.
Mas, demos primazia a verdade em peça. não de toda. Apenas uma parte significante, pra que possa achar que sei tudo.
No entanto, é imprescindivel, ser uma parte que permita continuar confundindo as vontades.
Eu num sei se forte ou se fraca.
Eu acho que vai perecer e num faz. eu acho que tá tudo trancado e num tá. portas escancaradas.
Desce ao sotão e chama todos aqui pra cima que a festa da confusão vai começar!!! Iuuurruuu!!!
É assim que sinto em dias de hoje. Não entendo o que há.
Há dias comuns que os corriqueiros deixam sua condição de desnecessários e tornam-se saudade, som e fato. Que, deixando bem claro, não são necessariamente reais.
Isso custa pouco tempo. é até o olhar ao lado ver algo ablíquo.